agosto 12, 2008

Uma questão de Fé

O remo português averbou hoje o melhor resultado de sempre em Jogos Olímpicos, com a passagem de Pedro Fraga e Nuno Mendes às meias-finais de double-scull ligeiro de Pequim2008, depois da vitória na etapa de repescagem.

Numa regata cheia de emoção, nos primeiros 1.500 metros os remadores portugueses foram sempre no quarto lugar, atrás de Hungria, Japão e Cuba, antes de recuperarem terreno num esforço final nos últimos 500 metros, vencendo à frente da tripulação cubana e japonesa, segundos e terceiros classificados, respectivamente.

“A última parte da nossa prova é sempre muito mais forte do que a primeira”, disse Nuno Mendes no final, com Pedro Fraga a afirmar: “sabíamos de antemão que eles iam tentar sair para liderar a corrida e nós tentamos vir o mais próximo deles para depois no fim atacar, como tem sido hábito nos últimos tempos. E conseguimos”.

Pedro Fraga e Nuno Mendes acabaram por fazer um tempo de 6:39,07 minutos, contra 6:40,15 minutos de Cuba e 6:43,03 do Japão, levando assim Portugal ao grupo dos 12 países que participam nas meias-finais, que conduzem às finais A (para os três melhores das meias finais) e, para os restantes, às finais B.

“Nas meias-finais de quinta-feira vamos ver e definir os objectivos. Já estamos nos 12 primeiros, que era o nosso principal objectivo até aqui, mas já que aqui estamos não nos vamos ficar por aqui, espero eu. Vamos tentar subir lugares e tentar alcançar a melhor classificação possível”, disse Nuno Mendes.

Pedro Fraga defendeu uma participação mais resguardada na meia-final, na qual, disse, os portugueses vão tentar arrancar na frente da prova.

“O que nos interessa aqui é o resultado e não tanto a meia-final, que acaba por ser uma passagem. Se sair bem pode ser o sucesso dos sucessos, se não sair tão bem temos a final B para finalizar da melhor maneira”, adiantou.

Nuno Mendes foi, no entanto, claro: “Será muito difícil pensar nas medalhas. Para já fazer uma boa final B e uma boa meia-final será óptimo”.

Quanto à prova de hoje, os dois atletas confessaram-se muito cansados depois da prova de hoje, que Pedro Fraga afirmou ter sido uma questão de fé.

“Foi muito difícil desde o princípio. Esta prova era para quem mais acreditasse, porque dos seis barcos que arrancaram quatro eram muito equilibrados e só estavam em disputa duas qualificações”, explicou, com Nuno Mendes a celebrar sobretudo a vitória sobre a Hungria (quarto lugar), “uma equipa muito forte, que foi campeã do mundo em 2005 e que à partida seria a equipa que pensávamos que não conseguiríamos bater”.

O remo português, que há 12 anos não marcava presença nos Jogos Olímpicos, atingiu hoje assim a sua melhor classificação de sempre e os dois atletas prometem: “vamos tentar dar o melhor, manter a dignificação do remo português e da nossa bandeira”.

“É com muito orgulho, e com muito trabalho também, que o conseguimos. Trabalhámos bastante para estar aqui e estar agora entre os 12 melhores de todo o mundo é uma grande satisfação”, afirmou Nuno Mendes.

A relação entre os dois remadores e a Federação Portuguesa de Remo vive na actualidade um momento polémico. Os atletas dizer ter sido “proscritos” pela federação, a quem acusam de tratamento diferenciado, falta de apoio e de lhes dificultarem os treinos, ao ditar os locais de treino e impor o director técnico nacional José Santos.

O presidente da federação, António Rascão Marques, reconheceu recentemente que há “alguns problemas”, mas preferiu não comentar.

Pedro Fraga disse hoje esperar que o resultado já conquistado em Pequim2008 altere a estrutura de auxílio à carreira e aos treinos dos dois remadores.

“Estamos afirmar-nos a pouco e pouco. Espero que agora seja o ponto de partida para os próximos quatro anos, para termos apoio a sério, para se Deus quiser dentro de quatro anos estejamos aqui a lutar pelas medalhas ou por um afinal A”, disse o atleta português.

Os remadores acusam também a federação de ter “comprado barcos para quase toda a gente” menos para eles e de competirem em Pequim com uma embarcação já com seis anos e frente a adversários com barcos de 2008.



RBV.

Lusa/Fim.
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