janeiro 21, 2012


Não há motivo para te importunar a meio da noite,
como não há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica.

Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.

Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.

Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
o direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa
evidência me matar agora.

E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?

Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.


José Luís Peixoto
-Gaveta de Papéis-
2008

janeiro 19, 2012

janeiro 12, 2012

Eu acredito

Acredita em Ti Mesmo ....

"O homem converte-se aos poucos naquilo que acredita poder vir a ser. Se me repetir incessantemente a mim mesmo que sou incapaz de fazer determinada coisa, é possível que isso acabe finalmente por se tornar verdade. Pelo contrário, se acreditar que a posso fazer, acabarei garantidamente por adquirir a capacidade para a fazer, ainda que não a tenha num primeiro momento."

Mohandas Gandhi, in 'The Words of Gandhi'


janeiro 10, 2012

Feliz Aniversário

a minha irmã faz anos!
e podia fazer destas linhas um lugar comum dizendo o quão importante ela é para mim, bla bla bla, mas não, ela não só é importante como determinante para o bom funcionamento da minha vida e sem ela e sem o seu sorriso e sem a sua força e sem a sua alegria e sem a sua mania de cuidar de mim e sem a mania de cuidar dou outro irmão e sem o seu contagiante bom humor e de há uns anos sem o seu tremendo marido que a faz feliz e sem as suas birras às vezes e sem a sua generosidade e sem a sua capacidade de perdoar e sem tudo aquilo mais que ela é, sem tudo isso eu não saberia viver.
Por isso, parabéns maninha, a minha Joaninha!

janeiro 04, 2012

Está escuro

O tempo não passa, o relógio arrasta-se de segundo em segundo, já falta pouco... mas os minutos nunca mais chegam e as horas, essas estão no fim dos minutos, longe.
Os dias atrasam-se. Não é que tenha pressa de viver, mas tenho urgência, alguma urgência nos dias que estão ainda longe.
A minha impaciência é que demora os minutos e as horas e os dias, e tornam longas as minhas noites acordado.
Ainda há noite. O horizonte é já ali mas está escuro. Eu não tenho medo do escuro. Eu gosto de viajar e há viagens difíceis e há viagens escuras e eu não tenho medo do escuro e sigo viagem. O horizonte é já ali, e eu caminho pelos segundos e minutos e horas e espero pelos dias atrasados e sigo, porque eu não tenho medo do escuro.
Está escuro.