março 11, 2009

Carta Aberta ao Presidente da Federação

Exmo. Senhor,

Estou apenas hoje a escrever-lhe porque ainda acreditei que até à véspera da tragédia que foi a tentativa de realização dos Campeonatos Nacionais de Inverno, V. Exa. se reconciliasse com o remo e com todos os seus agentes.

Mas não. A Direcção da FPR, na sua pessoa, continuou a hostilizar, a enganar, a adulterar leis e, mais grave, a incentivar quem sempre levou a prática do remo muito a sério, a cometer e a conviver com ilegalidades que desvirtuam o desporto que amamos. Infelizmente, e por motivos que só a cada um dos intervenientes diz respeito, o senhor arranjou cúmplices, alguns deles inocentes, para a sua marcha para o abismo.

Explique, não só a mim, mas também aos portugueses cujos impostos pagam os seus devaneios, porque razão, na mais importante prova do calendário de remo português, tivemos um árbitro nomeado pelo Conselho de Arbitragem e os restantes nomeados por V. Exa., todos eles funcionários da FPR, curiosamente treinadores não habilitados com nenhum curso de árbitro. Terão ficado ainda como reserva os funcionários administrativos, aqueles por quem chorou na triste gala que sucedeu ao ainda mais triste congresso.

Na sua louca e desvairada cavalgada para o poder, violou todas as regras, todas as leis, todos os princípios morais e éticos que um líder de uma federação desportiva deve cultivar e exigir.

Transformou em proscritos os árbitros, marginalizou os clubes que não alinharam consigo nas suas ilegalidades, esquecendo-se que um clube materializa a união de directores, treinadores, remadores, familiares e apoiantes.

Conseguiu mesmo, de forma maquiavélica, desagregar esta união.

Tem processos pendentes em tribunal; cometeu, em conluio com o Presidente da Mesa da AG, graves ilegalidades eleitorais que impediram a homologação dos resultados; tem uns campeonatos nacionais impugnados, iniciou uma guerra com os principais e maiores clubes de remo nacional, com os árbitros e com a sua Associação, virou as costas aos treinadores, mandou a GNR identificar remadores, e muitas outras que seria penoso estar a enumerar.

Por tudo isto e por tudo aquilo que a sua mente ainda está para gerar, e no superior interesse do Remo Nacional, apresente a sua demissão. Acredite que, para o substituir, a si e aos curiosos que formam o seu grupo, já há uma equipa credível, aceite pelos verdadeiros actores do remo remado. Gente que se impôs na vida e no desporto pela franqueza, pela seriedade, pela lealdade, pela transparência e pela honestidade. Embora isso sejam valores que o senhor dificilmente conseguiria entender.

Lisboa, 11 de Março de 2009

João Oliveira
Candidatura “Devolver o Remo aos Clubes”
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